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Triângulo do Lítio e a Soberania Sul-Americana

O Triângulo do Lítio, território que abrange as planícies salinas nas fronteiras de Argentina, Bolívia e Chile, consolidou-se como o epicentro geoeconômico global para o fornecimento deste mineral crítico, insumo basilar para as baterias de veículos elétricos e tecnologias de armazenamento em larga escala. A urgência global pela descarbonização transformou essa região em um espaço de intensa disputa geopolítica, onde as potências do Norte Global e a China buscam assegurar a resiliência de suas próprias cadeias de suprimentos. Para os Estados sul-americanos, este cenário impõe o desafio analítico e político de transformar a vantagem geológica em desenvolvimento tecnológico e soberania efetiva, buscando romper com a histórica inserção periférica baseada na primarização das exportações.

No centro dessa dinâmica, observa-se a forte atuação de grandes corporações transnacionais que dominam o capital e a tecnologia das etapas de extração e refino inicial. A pesquisa neste eixo investiga criticamente como a governança estatal dos três países interage com os interesses dessas corporações, mapeando as pressões estruturais e as estratégias de regulação adotadas por cada governo nacional. O escopo se concentra na economia política da mineração e nos riscos de consolidação de um arranjo produtivo que, embora essencial para a transição verde global, pode reproduzir assimetrias de poder históricas no sistema internacional.

Por fim, o estudo da geopolítica do lítio é indissociável de suas externalidades territoriais. A exploração nas salinas impõe severos estresses hídricos e alterações ecossistêmicas, impactando de forma aguda o meio ambiente e os modos de vida das comunidades locais e povos originários da região. Partindo de perspectivas teóricas críticas voltadas para as relações Norte-Sul, o projeto busca analisar a tensão inerente entre o discurso global de sustentabilidade e a materialidade da degradação socioambiental nas periferias. O objetivo é compreender como os conflitos territoriais, os direitos comunitários e os passivos ambientais são geridos no bojo da atual governança da transição energética.

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