Cinturão do Cobre e protagonismo africano
O Cinturão do Cobre (Copperbelt), região geológica e econômica que se estende prioritariamente entre a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia, representa uma fronteira de recursos crucial para a transição energética global. O cobre, frequentemente aliado ao cobalto extraído nas mesmas jazidas, é o vetor material indispensável para a infraestrutura de eletrificação, desde a expansão das redes elétricas até a fabricação de motores e baterias. Neste contexto, este eixo de pesquisa analisa como a expansão acelerada da demanda nos centros capitalistas e asiáticos pressiona essas geografias africanas, reconfigurando os territórios locais e reinserindo a região no epicentro da geopolítica da energia.
A dinâmica extrativa no Cinturão do Cobre é caracterizada pela interação entre os desafios estruturais profundos dos Estados hospedeiros (como fragilidades institucionais, legados de instabilidade política e déficits de infraestrutura) e a presença hegemônica de empresas transnacionais. A pesquisa se concentra na atuação dessas corporações que dominam o maquinário logístico e financeiro da mineração. Mapeia-se a influência de conglomerados historicamente sediados em países ocidentais (notadamente Suíça, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos) e, de forma cada vez mais proeminente, a massiva penetração de corporações da China. Através de perspectivas analíticas voltadas à herança de pesquisa pós-colonial, o projeto investiga como essas operações corporativas perpetuam, frequentemente, dinâmicas de economia de enclave e dependência assimétrica, limitando a retenção de renda, a transferência tecnológica e a agregação de valor nacional.
Por fim, a expansão destas fronteiras de recursos expõe as profundas contradições do discurso da sustentabilidade global frente às realidades territoriais de extração. As operações de mineração em larga escala na região suscitam graves impactos socioambientais, incluindo a contaminação hídrica, a degradação do solo e deslocamentos forçados, além de persistentes desafios relacionados aos direitos trabalhistas nas cadeias de suprimento. O grupo dedica-se a escrutinar criticamente esses impactos sobre as comunidades afetadas, buscando compreender como os passivos socioambientais do neoextrativismo verde são absorvidos pelas periferias do sistema internacional, enquanto a segurança energética e o desenvolvimento tecnológico se consolidam nos Estados onde tais empresas têm sede.