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A China e a Geoeconomia das Terras Raras

Este eixo dedica-se a examinar a centralidade inquestionável da República Popular da China na governança global da transição energética, com foco particular no seu quase monopólio sobre o processamento e refino de terras raras e outros minerais críticos. A capacidade industrial chinesa, estruturada por décadas de políticas de Estado direcionadas, não se restringe à extração de suas próprias reservas, mas reside fundamentalmente no domínio tecnológico e logístico das etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva. O projeto investiga como essa assimetria industrial confere a Pequim um poder geoeconômico sem precedentes, capaz de instrumentalizar a interdependência sistêmica frente às potências ocidentais e de reconfigurar estruturalmente o equilíbrio de poder no sistema internacional.

Para sustentar e expandir esse vasto complexo industrial, o Estado chinês tem projetado suas empresas (tanto as estatais  quanto os grandes conglomerados privados com respaldo governamental) para atuar nas principais fronteiras de recursos globais. Este eixo mapeia analiticamente a capilaridade do capital e da tecnologia da China na América do Sul (focando na prospecção de lítio), no continente africano (notadamente nas operações de cobre e cobalto) e na Indonésia (cujo setor de níquel sofreu profunda reestruturação com o influxo chinês). A pesquisa debruça-se sobre as táticas de aquisição de ativos locais e a verticalização das operações, buscando compreender se a inserção geoeconômica de Pequim no Sul Global oferece vias alternativas de desenvolvimento ou se instaura novas arquiteturas de dependência assimétrica e subordinação periférica.

Por fim, a análise explora a intrínseca sinergia entre a diplomacia de recursos chinesa e o seu papel como provedor global de infraestrutura, frequentemente articulado sob a égide de megainiciativas como a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative). O financiamento e a construção de portos, corredores ferroviários e complexos energéticos pelos atores estatais chineses nos países hospedeiros operam como um suporte logístico indispensável para o escoamento eficiente das commodities minerais rumo à Ásia. Ancorando-se na Economia Política Internacional, o estudo investiga as implicações dessa "diplomacia da infraestrutura" para a soberania territorial dos Estados envolvidos, avaliando o equilíbrio entre a captação de investimentos estruturais vitais e os riscos atrelados à reprodução de modelos de neoextrativismo de enclave.

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